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Pepetela

Bio-bibliografia:

Pepetela, pseudónimo de Artur Pestana, é natural de Benguela, onde nasceu em 1941. Realizou  os estudos primários  e secundários  em Benguela e Lubango. Em Portugal frequentou o Instituto Superior Técnico de Lisboa. Após a sua fuga para o exílio, juntou-se ao Movimento  de Libertação Nacional. Em Argel, formou-se em Sociologia e  integrou a equipa  que formou o Centro de Estudos Angolanos. Foi Vice-Ministro  da Educação. Grande parte da sua produção  foi publicada  após a independência, como de resto  se passa com uma boa parte dos ficcionistas angolanos.Publicou Muana Puó(1978); As aventuras de Ngunga(197..); Mayombe (1980); O Cão e os Calús(1985); Yaka (1985); Lueji,o Nascimento dum Império (1990); A Geração da Utopia (1992); O Desejo de Kianda (1995); Parábola do Cágado Velho(1996) A Gloriosa Família (1997).  A tematização da história imediata, social ou política, e antiga  constitui  a trama de  quase  todos os seus romances como Mayombe, Yaka, Lueji,o Nascimento dum Império, A Geração da Utopia, Lueji, A Gloriosa Família.

 É no cruzamento que  a  onomástica e as personagens  estabelecem com a História onde  vamos encontrar motivos de grandes interrogações sobre o labor ficcional de Pepetela. Em Yaka, um romance em que se conta a saga dos Semedo, uma família descendente de um antigo colono, este autor submete personagens da História de Angola como Mutu-ya-Kevela a um tratamento semântico que suscita alguma perplexidade para  o leitor angolano avisado, numa trama   que  se traduz em inadequada superação das metáforas coloniais. Mutu-ya-Kevela, que é um herói da resistência ao colonialismo, não pode ser reduzido a “ monstro de dentes compridos” funcionando como um horror às crianças, tal como acntece em Yaka. A perplexidade atinge o apogeu, quando  a incorporação de personagens-referenciais no romance deixam  de satisfazer aquele fim, através do qual  se deve reabilitar os heróis passado, da grande narrativa angolana que é a História de Angola. Em tudo isso   reside uma inquietação com aquelas coisas  que tocam as identidades colectivas  e a legitimação  do lugar que se  ocupa na sociedade. Numa das suas entrevistas publicadas em livro, Pepetela revela as suas grandes preocupações com a formação da nação. E atribuía tal propensão e a recorrência do tema na sua obra ao facto de ter estudado Sociologia.

Com efeito, digno de destaque  para aquilo que deve ser o cânone literário   são  Mayombe, A Geração da Utopia  e  Parábola do Cágado Velho. Aqui  Pepetela revela-se  um importante arquitecto para o  imaginário angolano.

 
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