Segundo o médico Pedro Gaspar, foram registados 14 novos casos desde domingo, elevando o número de doentes para 46, contra os 40 de segunda-feira.
Os pacientes estão a ser tratados no centro de saúde local onde alguns são acomodados num corredor e os restantes em duas tendas colocadas na parte traseira do estabelecimento.
O bairro da Boavista tem péssimas condições de saneamento, agravadas pelo facto de muitas das residências não terem casas de banho e as valas estarem assoriadas. Há quatro anos que a zona não se beneficia de água potável.
Aos técnicos e pessoal de serviço foram distribuídos luvas, gorros e outros materiais plásticos para se evitar o contágio. Aguarda-se pela chegada de novos meios para suprir a exiguidade de equipamento gastável de que se queixam os funcionários.
O médico Pedro Gaspar declarou que a situação está controlada e acredita que o número de mortes poderá reduzir, pelo facto da população estar alerta e manisfestar o interesse de seguir as medidas preventivas.
Referiu-se ao trabalho de sensibilização e educação da população levada acabo pela OMA, JMPLA e pelas igrejas, alertando a população sobre o perigo da doença.
No domingo, 19 de Fevereiro, o Governo da província de Luanda declarou a existência de surto epidémico de cólera na sequência de seis óbito, em 32 casos de diarreia, registados no bairro da Boavista, município da Ingombota, apelando a tomada de medidas preventivas para se evitar a proliferação da doença.
O comunicado, divulgado na altura, indicava a ocorrência, desde 13 de Fevereiro de 2006, de casos de diarreia no bairro da Boavista e que os resultados das investigações epidemiológicas efectuadas, bem como das amostras de água recolhidas revelaram a presença de vibrião colérico serotipo INABA, que provoca a cólera.
Face a esta situação, o Governo provincial, em consonância com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde ( OMS) declararam epidemia de cólera no bairro da Boavista, em Luanda.
A cólera é uma doença contagiosa que se transmite através da água, alimentos contaminados ou contacto direito com as fezes de pessoas doentes. Manifesta-se por vómitos e diárreia profusa de cor esbranquiçada (tipo água de arroz) que leva a desidratação grave e morte em poucas horas.
O Governo provincial, forçado pela situação, criou uma unidade de tratamento no centro de Saúde da Boavista e distribui «solução mãe» de hipoclorito de cálcio e água potável à população, embora esta se queixe do facto das quantidades serem reduzidas.
Na Boavista, o executivo exorta a população a respeitar medidas de prevenção, tais como lavar as mãos com água e sabão antes de tocar nos alimentos, depois de urinar, defecar ou utilizar a latrina e ferver ou desinfectar este liquido, com 5 gotas de lixívia para cada litro, 30 minutos antes do consumo.
É recomendo ainda as pessoas a não comerem peixe, mariscos e outros alimentos crus ou mal cozidos, desinfectar os ingredientes utilizados na feitura de saladas, antes de comer, não utilizar água de cacimbas para beber, lavar louça, lavar roupa ou cozinhar.
Em caso de haver doente suspeito de cólera, se deve espalhar lixívia antes de tocar nas fezes, utilizar luvas ou sacos de plásticos e transportá-lo com urgência para um Centro de Saúde ou Hospital mais próximo.
As autoridades sanitárias pedem ainda para evitar-se mexer, dar banho, abraçar e beijar em cadáveres por cólera, assim como enterrá-los 24 horas depois e desifectar o local e viatura utilizada na transportação.
Com o objectivo de banir o surto, serão criados postos de atendimento em todos os munícipios da província, prestando, deste modo, atendimento rápido e gratil às pessoas.
Fonte: Angop