Por que existem músicos que nunca saem do primeiro disco?

a) Porque são aventureiros
b) Falta-lhes criatividade
c) O mercado não ajuda muito
d) A culpa é da pirataria
 
 
«Show» de nervos desvenda dupla faceta de Caló Pascoal
02/06/2009

Vencer a ansiedade e driblar o medo, para proporcionar o «show» com que sonhara, durante 15 anos de carreira, constituiu o principal obstáculo para o músico Caló Pascoal, neste sábado à noite, em Luanda, onde sentiu pela primeira vez a pressão de quase três mil fãs na condição de «anfitrião».

Habituado a produzir temas de sucesso para intérpretes nacionais e estrangeiros, o líder da produtora Quebra Galho inscreveu uma nova página na sua ainda curta trajectória a solo, proporcionando, no Cine Karl Marx, uma contagiante actuação, todavia difícil, dada a expectativa gerada em volta da sua aparição.

A presença de rostos notáveis do music hall angolano (Yuri da Cunha, Yola Araújo, Rei Webba) no local do «show», ainda por altura dos ensaios gerais, ilustrava sobremaneira a expectativa do público, que pode ver, pela primeira vez, uma faceta até então pouco explorada pelo autor: instrumentista.

Caló demonstrou, em pouco mais de hora e meia de palco, ter potencial para a execução do piano, tendo contrariado aqueles que o excluem da lista de produtores musicais, em Angola, por, alegadamente, «não tocar qualquer instrumento musical».

Mas a histórica noite do autor de «Titiriti», «Fim do Mundo» e «Água da Chuva» até começou mal e desanimada, pois demonstrara, no início da actuação, uma incómoda e repentina instabilidade emocional, causada pela quase inexistência de público no Karl Marx.

Os relógios já marcavam 21:02 minutos quando a promotora LP Produções deu «luz verde» para o início do show, 32 minutos depois do previsto, mas, apesar do esforço de Caló e da banda Versáteis, em palco, o cenário parecia irreversível. As clareiras na plateia faziam subir a pressão ao autor de «Olá Baby» que, a pouco e pouco, foi digerindo a situação, buscando forças na ainda reduzida «claque», onde eram quase inexistentes, nesta altura, os habituais assobios.

Os momentos iniciais da actuação, que o autor preparara com carinho e cuidado durante o dia, sob «supervisão» do cabo-verdiano Grace Évora, foram, pois, de tensão. Porém, a «festa» tinha de acontecer, com dez mil, ou 100 espectadores, como expressara horas antes o músico e amigo pessoal de Caló, Rey Webba.

Já com o anfitrião em palco, foi-se registando, a pouco e pouco, a chegada de mais fãs, animados e dispostos a participar, em grande estilo, do «baptismo» do produtor da Quebra Galho, que se mostrou, desde então, confiante na reviravolta.

Às 21:02, tudo se inicia. Ainda «invisível», Caló solta pela primeira vez a voz por entre o camarim e o palco, interpretando «Feijão Duro», um tema já quase apagado da memória colectiva dos seus admiradores.

Porém, a interpretação acústica da música, produzida na década de 90 para o extinto grupo de kuduro Necaf Brothers, servi-lhe de tónico para enfrentar a plateia e espevitar a banda e o par de bailarinas (Irina e Palucha), com quem se exibe por quase cinco animados minutos.

Logo a seguir sai o tema «Tá Amarrado», seu primeiro número de sucesso a solo, em género kizomba, antes de o autor diminuir o andamento melódico, com «Santa Mariazinha», tocado em ritmo zouk. A seguir tira «Água da Chuva», em ritmo semba, encerrando o primeiro bloco com sungura ritmado no tema «Bolingo».

Caló aproveita o embalo rítmico da música, «manda» para o palco um dos irmãos e ex-colega no grupo de dança Originais Mestres da Sungura, com quem recua no tempo, recorda esquemas do passado, num momento em que o percussionsta Dalu Roger ajuda a despertar o ainda adormecido público com batucadas ritmadas.

Agora mais animado, o músico chama a primeira convidada da noite: Claudeth Tchizungo, uma das vozes do projecto "Eu e Elas", com quem partilha a interpretação de "Mais uma Chance", original da banda brasileira Calipso, que Caló adaptou em ritmo kizomba, para o novo CD da artista.

Nesse momento, já o público parece mais entusiasmado, razão por que a dupla capricha, na mesma toada melódica, agora no tema "Mentirosa", original do brasileiro Leonardo, adaptado para o projecto dos DJs Rui Gomes e João Linho.

Mulheres e homens, maioritariamente jovens, vibram ao som dessa canção de letra romântica, que serve de chamariz ao segundo convidado da noite: Konde. Este entra em grande, agitando a plateia, que não se coibi em cantar, com o autor, "Também me Amavas", um dos sucessos dos seu segundo CD.

Enquanto o amigo faz a festa, Caló aprecia sentado o desempenho do também autor de "Katya", antes de ver entrarem o grupo Tuneza Teatro e o humorista Calado Show, que dão outro toque ao espectáculo, descontraindo os agora quase dois mil fãs.

A casa vai-se compondo, com mais gente entrando na festa. É com esse cenário que Caló regressa, agora com um grupo coral de 14 pessoas, para interpretar um tema gospel do seu novo álbum a solo "Esperança Sagrada".

Por altura da interpretação de "Quando o Dia Chegar", o produtor (vestido de batina branca, para simbolizar o seu lado cristão) põe-se pela primeira vez à prova, demonstrando potencial no piano, um momento que surpreende a plateia.

Depois chama para o palco a terceira convidada da noite: Karina Santos, com quem interpreta o tema "É Bomba", também incluído no seu projecto "Eu e Elas".

Com essa cantora, Caló volta a surpreender o público, pondo para fora toques de dança kuduro e sungura, pouco explorados nos palcos por onde passara, num momento de inspiração em que Karina também brilha e exige "jogo de cintura da banda Versáteis", chamada a alternar, por duas vezes, a toada melódica.

Depois surge um momento mais pausado, com o segundo bloco de canções do artista, que "desfila", numa sentada, "Quem é o Homem Aqui", Você está Assim" e "Titiriti", antes de chamar para o palco o quarto convidado.

O cabo-verdiano Grace Évora sobe ao palco já em ambiente de euforia e, de pronto, agita a plateia com os sucessos "Bia" e "Lolita", cantados por uníssono pelos agora quase três mil espectadores presentes.

Antes de sair, partilha com Caló a interpretação de "Princesa Rita DJ", do seu terceiro disco a solo, propiciando um dos momentos altos do show, que serve de tónico para o artista angolano encarar com entusiasmo o derradeiro bloco.

Na última parte do espectáculo, o músico vem contudo, cantando dois temas de grande referência do público. Primeiro sai "Fim do Mundo", que lhe valera uma conquista do Top Rádio Luanda", cantado com grande parte dos presentes.

Depois orienta a banda a tocar "Meninas de Hoje". Quando se espera encerrar, isoladamente o show, eis que Caló leva ao palco o autor legítimo da canção, Massano Júnior, com quem canta a música, mergulhado num ambiente de festa, que serviu para apresentar e dançar, ao vivo, com sua mãe e esposa.

Fonte: Angop


21/12/2009 - Mercado discográfico ganha seis novos álbuns
21/12/2009 - Phathar Mak lança novo álbum no mercado
09/12/2009 - Colectânea «Pérola Azul» reflecte várias facetas de Luanda
09/12/2009 - Wonderfull One prepara lançamento do disco «3 Dimensões»
10/11/2009 - Maya Cool garante novo disco em 2010
10/11/2009 - Carlos Burity vence Prémio Nacional de Cultura e Artes
10/11/2009 - Divas de Angola acontece a 22 deste mês no Talatona
06/11/2009 - Whitney Houston começará turnê mundial em Moscovo
06/11/2009 - Discografia dos Beatles vai ganhar versão digital em USB
06/11/2009 - Robbie Williams diz que pode voltar a se reunir com o Take That


   
A neXus não se responsabiliza pelo conteúdo expresso nas páginas de seus parceiros e anunciantes.
© 2004 neXus. Todos os direitos reservados. Privacidade e Segurança