Discursando no seminário internacional sobre «Inovações Curriculares, Educação para a Paz e Luta contra a Pobreza na África Subsahariana», iniciado sábado, Burity da Silva, acrescentou que, também é certo, países ocidentais houveram que, por razões de conveniência, «não só fecharam os olhos a essas más práticas como chegaram a compactuar com as mesmas sempre que lhes interessaram».
«Não deixa de ser também verdade que a grande maioria dos países africanos, após as suas independências, a partir da década de 60, em vez de uma autonomização passaram a encarar uma pesada dívida externa e posteriormente, a imposição de Programas de Ajustamento Estrutural impostos pelas agências financiadoras, que se revelaram inadaptados às realidades dos nossos países e provocaram efeitos perversos», acrescentou.
Segundo o ministro Burity da Silva, esta situação foi a grande motivadora do facto de não haver aumento da produção, logo, não houve crescimento económico, nem desenvolvimento.
«Muitos dos montantes reservados à educação e à saúde acabaram no pagamento do esforço da dívida africana ao ponto de, em 1992, a acumulação dos atrasos no pagamento da mesma representar 32% das exportações de toda a África sub-sahariana», realçou.
Por outro lado, citou o Sínodo dos Bispos Africanos reunidos no Vaticano até a semana passada, que considera que a tarefa da Igreja Católica, enquanto parceiro social da Educação, deve assentar na necessidade de libertar os africanos de todo o medo, inclusive do provocado pela magia e pelo ocultismo, assegurar a formação, desafiar um passado de colonialismo e exploração, resistir às ameaças da globalização, e criar um quadro jurídico internacional que controle as multinacionais, as indústrias de extracção e o tráfico de armas.
O evento tem os apoios da Cooperação Técnica Alemã para o Desenvolvimento (GTZ) – mandatada, esta, pelo Ministério Federal da Cooperação Económica e do Desenvolvimento (BMZ) – e do Bureau Internacional da Educação (BIE) – uma instituição da UNESCO.
Fonte: Angop