Falando ontem na apresentação de cumprimentos de fim de ano aos membros do sector, Abrahão Gourgel disse que no próximo ano o BNA vai continuar a reforçar a capacidade de supervisão bancária e a garantir que todos os agentes cuja actividade legítima esteja relacionada com o mercado externo tenha acesso livre ao mercado cambial.
Ainda no segundo trimestre do próximo ano, entra em funcionamento a Central de Informação e Risco de Crédito, que vai conferir às instituições financeiras mais segurança e confiança na atribuição do crédito à economia.
Abraão Gourgel anunciou igualmente a criação do Cadastro da Dívida Externa Total e a implementação do novo Plano de Contas das Instituições Financeiras, para permitir a aproximação do sistema financeiro nacional às melhores práticas do ponto de vista contabilístico e financeiro internacionais.
Numa cerimónia assistida por líderes da banca comercial e funcionários do Banco Central, Abraão Gourgel disse que outro campo de acção para o próximo ano é o processo de transferência bancária dos salários da função pública e a educação financeira da população, centrada no manuseamento de meios circulantes. Ao mesmo tempo, o BNA pretende concluir o sistema integrado de informações cambiais e apoiar a criação da câmara de compensação electrónica de Angola.
Outros desafios centram-se no prosseguimento da revisão da Lei orgânica do BNA e das instituições financeiras, regulamentação das sociedades de locação financeira (leasing) e das sociedades de sessão financeira (factoring) e respectivos normativos legais.
Reservas seguras
Ao avaliar o desempenho do BNA em 2009, Abraão Gourgel disse que o país conseguiu manter os níveis de reservas internacionais num patamar mais seguro, ao mesmo tempo que controlou o risco de potencial subida abrupta do nível de preços.
O governador do Banco Nacional de Angola lembrou que em Abril as reservas tinham diminuído em cinco mil milhões de dólares. A contenção da queda das reservas e a redução do diferencial entre a taxa de câmbio formal e informal foram «preocupações e prioridades colocadas pessoalmente pelo chefe do Governo».
Abraão Gourgel falou ainda das previsões da economia angolana e manifestou-se optimista quanto ao alcance das metas. Referiu que o crescimento do PIB foi de 4,9 por cento este ano, superior à taxa de crescimento da população angolana, que é de três por cento.
O sector não petrolífero, enquanto motor do crescimento económico, teve uma taxa de 13,6 por cento. Os indicadores para o próximo ano apontam ainda para uma taxa de inflação não superior a 11,5 por cento e uma taxa de crescimento do sector não petrolífero de pelo menos 12,9 por cento.
O governador do BNA destacou, também, o crescimento do fluxo do investimento directo estrangeiro para Angola, que continua elevado apesar da crise internacional. Portugal continua a ser o maior fornecedor de bens para Angola, seguido da China e dos Estados Unidos. Estes últimos são também os maiores destinos das exportações angolanas. A África do Sul continua a ser o maior parceiro de Angola no continente africano.
Abraão Gourgel lembrou ainda que o acordo de financiamento que o Governo assinou com o FMI, no valor de 1,8 mil milhões de dólares, vai servir para o financiamento da balança de pagamento, estabilização do mercado cambial e continuar com alguns projectos estruturantes no país.
Fonte: JA